Mariposa de Cera
Autor: Fada Safada
Não é difícil imaginar que tínhamos clientes muito excêntricos. A maioria era formada por homens ricos e enfastiados, querendo compensar com perversão as suas vidas vazias. Tendo embotado seus sentidos com todos os excessos, precisavam agora de estímulos superlativos para sentir o que quer que fosse; incapazes de submeter uma mulher aos seus encantos escassos, iam busca-las onde se submetiam por obrigação. Mas havia também os que se dedicavam a explorar um campo específico onde encontrassem beleza. Era o caso do senhor a quem chamaremos F.


Era um homem relativamente jovem, com talvez pouco mais de 30 anos, baixo e magro, que fazia delicadas esculturas em cera sobre o corpo das garotas. Em geral possuía a modelo a seguir, mas nem sempre: às vezes se esgotava em seu esforço criativo. Recostava-se, então, e a Senhora ordenava que alguém o presenteasse com sexo oral, que ele recebia em uma espécie de transe, manuseando e observando com extremo cuidado a sua nova obra, antes de expô-la à admiração pública. Alguns clientes compravam as mariposinhas de cera, pagando, claro, o ágio devido à Senhora, além do devido ao artista.
Algumas dessas obras faziam parte da decoração da casa, mas fora do alcance de mãos descuidadas, porque eram delicadas como as verdadeiras mariposas. Havia as que possuíam mesmo antenas, patinhas ou ambos, formadas por tênues filetes de cera. Algumas tinham cores diferentes de cera, misturadas em impressionante simetria: mariposas são simétricas.
Numa dessas noites ele voltou os olhos para mim e mandou que eu me aproximasse. Abriu meus lábios vaginais e examinou meu sexo com atenção por alguns minutos, declarando por fim:
- Belíssimo clitóris. Quero moldá-lo. Quanto custaria?
Moldar meu clitóris significava que cera quente seria vertida sobre ele formando, após endurecer, um molde de seu formato.

- Deseja apenas a moldagem, senhor, ou deseja usar-me também?
- Por enquanto a moldagem somente. Se eu quiser um orgasmo depois negociaremos à parte. Mas posso querer lambê-la.
- Sim, senhor. Em público ou em particular?
Cenas públicas rendiam gorjetas extras dos que vinham assistir, daí a diferença no preço, se em privado, na mesa ou no palco.
- Na mesa pública, à vista de todos.
- E o senhor deseja moldar apenas o clitóris ou avançar pela vulva e vagina? Verterá cera em meu interior?
Ele me observou com atenção nos genitais e indicou com os dedos de onde a onde pretendia moldar. Externamente apenas, frisou, mas com o clitóris exposto, e a cera poderia escorrer um pouco para trás.
Negociamos o preço, negociamos os limites da moldagem, negociamos a divisão das gorjetas, negociamos o pagamento da porcentagem da casa, negociamos a multa caso a cera pingasse em meu interior. Deve parecer estranho, mas, a despeito da obrigação de nos submetermos totalmente, essa submissão era totalmente negociada e os termos da negociação deviam ser observados estritamente por ambos. Nenhum acompanhante era obrigado a servir cliente com quem não tivesse chegado a bom termo na negociação.
Acertamos os valores e nos dirigimos à mesa. Ela era dotada de um tampo grande, onde vi ser aberta a caixa com os instrumentos de trabalho do homem que me comprara: uma série de espátulas e hastes de metal de diversos formatos. Vi que ele armou três castiçais e acendeu velas finas, uma vermelha, uma amarela e outra branca. Então me deitei e tive os pulsos afivelados por correias de couro. Um separador de pernas de cerca de um metro foi preso em meus joelhos e depois suspendido por correntes em um gancho preso ao teto alto.
Eu estava exposta. Vestia o espartilho e botas pretos, o tronco e os braços estendidos para cima, a bacia e o sexo na borda da mesa e as pernas abertas para cima, flexionadas. Em minutos, ou segundos, começaria a sentir dor na parte mais sensível do meu corpo. Alguns outros clientes se aproximaram. F. inclinou a mesa sobre sua base, que era uma esfera que permitia que o tampo girasse e se inclinasse sobre ela em todas as direções. Meu sexo ficou a pouco mais de um metro de altura, numa posição cômoda para seu trabalho. Então ele abriu minha vulva e a examinou passando os dedos lentamente, arranjando os lábios nesta e naquela posição, olhando de vários ângulos até ficar satisfeito. Meu coração batia cada vez mais rápido. Mais gente veio olhar o espetáculo. F. puxou a capa de meu clitóris para cima, expondo-o. A dor ia começar. Respirei fundo. Ele se inclinou sobre mim e lambeu.
- Vamos inchá-lo um pouco, ele disse aos espectadores.
Era seu estilo: a expectativa da dor maltratava quase tanto quanto a dor ela mesma, tanto mais para mim, que não tinha experiência com cera genital pois só a experimentara em meu primeiro vôo. Quanto mais o tempo passava, mais dolorosa era a minha expectativa. Uma ópera começou a tocar: Carmina Burana. F. deu-se por satisfeito quanto ao volume do clitóris. Embebeu um pedaço de algodão em óleo e limpou minha vulva e clitóris. Foi pelo movimento das sombras ao redor que percebi que ele apanhou um vela. Expôs meu clitóris novamente, puxando a capa delicadamente com um dedo, e desta vez não me enganei. A dor começou. Um pingo de parafina quente caiu em cheio sobre meu grelinho exposto. Eu gritei. Os homens ao redor se animaram. Um pingo mais sobre o pobre grelinho e eu gritei novamente, mas mais baixo. Da posição em que estava eu não podia ver o artista, mas via os clientes ao redor. Uns oito observavam a cena, dois deles acompanhados por mulheres. Mas os gritos foram atraindo mais atenção. Mais dois pingos de parafina derretida fixaram a capa do clitóris na posição escolhida, de modo que F. pôde largá-la para pingar mais livremente. Os pingos se aceleraram e eu dei um longo e alto gemido. Senti uma nota sendo posta sob minhas costas. Intercalados com os pingos no clitóris, comecei a sentir a cera pingar entre os pequenos e os grandes lábios. Pingos esparsos, um aqui, outro adiante, mas que aos poucos foram cobrindo totalmente a mucosa tão sensível com seu calor abrasador. Cada novo pingo parecia mais doloroso que o anterior, porque o calor sensibilizava a mucosa. Por outro lado, a camada já endurecida de cera proporcionava um certo alívio. Devido à inclinação da mesa a cera podia ser pingada dos lados da vagina sem escorrer em direção ao ânus, pois ela estava virada para cima. Esta já vertia, dada minha excitação. Um dos espectadores ordenou à sua acompanhante que lhe desse sexo oral, no que foi prontamente atendido: a moça se ajoelhou e abocanhou inteiramente o membro do homem. Enquanto isso, a cera avançava dolorosamente sobre a face externa de meus pequenos lábios. Meus gemidos eram quase ininterruptos e senti que suava. Ao mesmo tempo, as gorjetas choviam sobre a mesa, recompensando a minha dor e a forma intensa e resignada como eu a manifestava. O segundo homem acompanhado ordenou a sua acompanhante que o chupasse também.
Como a cera sobre meu clitóris já estava endurecida, F. iniciou a obra propriamente dita. Modelava cada novo pingo com seus instrumentos, antes que endurecessem, criando a cabeça da mariposa a partir do formato do meu grelinho. As asas eram sem dúvida a parte mais delicada, demorada e trabalhosa. Elas se estenderam para fora a partir da curvatura do vale entre meus grandes e pequenos lábios. F. pingava lentamente a cera, moldando-a no formato de asas, que já se descolavam de meu corpo, projetando-se para cima. Nesse ponto a obra não doía, a não ser por algum respingo eventual em minhas coxas e virilhas. Restava o desconforto de ter a massa compacta de cera endurecida aderida aos meus genitais, clitóris destapado de sua pele protetora. A conclusão da obra foi ainda dolorosa, pois as asinhas do inseto se projetavam alongadas para trás, o que requereu mais cera escorrendo entre meus lábios genitais. E a dor suprema no último movimento da obra, o fechamento das costas do inseto, que era feita vertendo a cera na comissura dos pequenos lábios, ponto extremamente sensível e delicado, que ele deixava por último para verter bastante cera de uma vez, deixando as costas arredondadas e também para manter os espectadores até o fim da performance. A área exposta era pequena, mas muito sensível, e foi atingida toda de uma vez só, por uma quantidade de cera bem superior a um único pingo. Gritei novamente a essa altura, despertando de novo a atenção dos clientes, recebendo mais algumas polpudas gorjetas. Mordi os lábios e me debati em minhas cadeias, porque doeu de fato, me fazendo gemer mesmo após o líquido ter sido completamente vertido.
Estava concluída. Ouvi os instrumentos sendo guardados em suas caixas e as velas sendo retiradas. Ouvi as exclamações de espanto elogioso dos que vinham observar a obra. Ouvi dois homens comentando que me chamariam para aplicar-me cera quente também. O último passo era despegar a mariposa de cera do meu corpo. Não era doloroso, mas trazia uma estranha sensação ter a mucosa genital repuxada por algo firmemente aderido a ela. E precisava ser feito lentamente para não danificar a pequena mariposa de cera. As grandes mariposas, com um palmo ou mais, eram sempre feitas em privado, pois requeriam recolhimento e concentração, além de uma imobilização mais eficiente da modelo. As públicas eram belas, mas menores.
Minha mariposa tinha 11 cm de comprimento, corpo amarelo e asas em branco, amarelo e vermelho. Suas asas dianteiras tinham um belo formato de gota, quase triangular, e as traseiras se inclinavam para trás, em harmonia com as dianteiras, formando projeções que terminavam ligeiramente alargadas. A cabeça do inseto era a reprodução perfeita do meu clitóris com a pele levantada. As antenas eram apenas sugeridas, estendendo-se para trás sobre o corpinho delicado. As patas estavam também junto ao corpo, mas perfeitamente modeladas. Por baixo, ela era o molde exato da minha vulva e meu clitóris. Eu estava encantada. Ao ser solta da mesa, F ainda contemplava sua obra. Esperava que ele quisesse possuir-me, mas ele não se manifestou. Solicitei então a honra de servir ao autor de uma obra tão encantadora. Isso significava que o serviço seria gratuito, mas significava também que eu faria o que preferisse fazer. Por uma boa parte da noite ele esteve reclinado em um puff muito grande e fofo, comigo a seus pés, ocupada em lamber-lhe e chupar-lhe membro e testículos enquanto ele contemplava minha mariposa. Por fim ele ejaculou em minha boca e foi-se.
As gorjetas dessa noite a fizeram muito rendosa. Por fim, motivado pelo espetáculo que eu proporcionara, um cliente bastante generoso em termos financeiros me contratou para, em privado, pingar cera em mim enquanto me penetrava pela buceta e pelo cu até atingir dois orgasmos, um em cada orifício. Ele se entusiasmou por verter cera sobre o clitóris, que me fez expor com minha própria mão, mas não percebeu que, após uma certa quantidade de pingos, minha mucosa já não era atingida. Eu gritava e ele gozou feliz. Quanto ao rabo, levar cera quente na bunda foi fichinha depois de receber no grelo. Mas, aparentemente, ele ficou mais feliz ainda.
Mas feliz mesmo ficou a Senhora, por eu fazer dois programas tão rendosos em uma única noite. E eu, claro, que arrecadei uma boa quantia.
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