quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Continho
Autora: {Vita}_ST



Era o aniversário Dele e ela queria fazer-Lhe uma surpresa.
E pensou que outro corpo na cama, para usar e abusar, seria uma surpresa agradável, seria bem recebida e daria Àquele a quem servia horas de puro prazer.
E convidou a moça. Combinou com ela. Já tinha saído com eles antes, seria muito bom.
Depois de se encontrarem, pediu que Ele parasse o carro em uma certa rua e que fechasse os olhos. Após alguma relutância Ele concordou. Ela saiu do carro. A moça vinha pela calçada em seu vestidinho preto. Alegremente graciosa. Graciosamente alegre.
Entrou no carro pela porta da frente e, cúmplice da surpresa, O beijou. Ele ficou de fato surpreso, feliz e excitado
Depois do beijo o carro pôs-se em movimento, levando-os. Vozes, risos, lembranças de outros tempos, alegrias novas e passadas. 
Ele, ela e a moça.

E assim, chegaram. E foram roupas espalhadas, bocas, risos, corpos, gemidos, suores, gozos... e de repente, ela não cabia mais naquela cama.
Saiu dela, como a alma sai do corpo durante o sono.
Ele e a moça graciosa continuavam a dança sensual de bocas coladas, cabelos em desalinho, corpos suados e gemidos que não cortavam só o ar. Os beijos longos, intermináveis, dolorosamente intermináveis. O tempo, que parecia ter se agarrado naqueles beijos não queria mais passar...

Ela tentou voltar à cama, participar de tudo aquilo, não conseguiu. Não havia ali espaço que lhe coubesse entre os dois corpos colados. Fizeram-se dois mundos. O deles e o dela. Restou o espaço vazio na cama. E o olhar quase perplexo para os dois seres em seu movimento. O movimento só deles.

Em meio à dança frenética, Ele a olhou. Ela devolveu o que deveria ser um sorriso.  E finalmente entendeu o que a tirou daquela cama.  
Ciúmes. 
Em que parte do caminho ela esqueceu sua abnegação, seu depojamento e sua alegria genuína pelo prazer Dele? Sentiu vergonha, quis que o chão se abrisse, pediu por isso mas nada aconteceu. Ali estava ela, em um mundo à parte, corroída pelo sentimento que não queria ter, que não podia ter. E percebeu que não merecia estar ali.
Saiu. Eles, em seu enlevo, não perceberam.



E levou consigo a dor.

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