XANINHAS COLORIDAS

A moda atual é raspar tudo. Nada de pelos. Radical.
Que nem todas seguem, claro. Há resistências às peladinhas em todo o mundo. E creio, até, que as peludinhas são maioria.
Então, encontrei na boa e velha rede, este anúncio:

Com COLOR BETTY, dê cor à sua intimidade!
Use a imaginação e experimente colorir seus pelos íntimos com o kit de pintura COLOR BETTY!
COLLOR
BETTY é um kit de pintura especialmente criado para os pelos pubianos e
fabricado à base de ingrediente naturais, como extratos de flores, de
camomila, de alecrim, de aloe-vera, de casca de cereja.
Está disponível em 5 cores fantasia, para satisfazer todos os desejos e 4 cores mais clássicas.
Cores fantasia: rosa, vermelho, azul, verde, laranja.
Cores clássicas: loiro, castanho, ruivo, preto.

Bem, a imaginação rolou solta, claro. Como todo mundo agora, fiquei imaginando xoxotas de várias cores: rosa-choque, vermelhas, verdes...
E
também fiquei imaginando como seria usar esse tal kit de pintura. Então,
encontrei uma moça que tem um blog com este nome: Le celibat ne passera
pas par moi. Algo como : «nunca serei celibatária » (?).
«
Quando Stef do Moulin Rose me propôs testar « Color Betty », aliás, a «
tintura para xaninha », eu não hesitei, eu disse siiiiiiim ! Eu já
experimentara viver nua , eu já experimentara o lenço higiênico para
debaixo do braço, eu estava pronta pra testar a cor para xaninha.
Vocês me conhecem. Não ia usar uma cor comum. Imediatamente optei por um rosa fúcsia.

Recebi,
há algumas semanas, meu pequeno kit de colorir. Olhava pra ele toda
manhã, desconfiada. Adiei por diversas a operação tintura. Seria um
acontecimento para minha xaninha e para mim mesma mudar assim de cor.
Não é uma decisão insignificante. Isso pode mudar uma vida.
Então, numa bela manhã tomo a decisão.
Ligo o a todo vapor o aquecimento no meu pequeno banheiro : não vá apanhar uma broncopneumonia.

Em
seguida abro o kit Color Betty e estudo o material. E haja material.
Luvas. Uma espátula. Uma escova tipo escova de rímel, porém mais macia.
Três pequenos frascos. Um recipiente para as misturas. E uma bula em
sessenta e duas línguas (o mundo inteiro pinta a xaninha !) Bula que li,
li e reli mais e mais. Nada de estresse, apenas cuidadosa.
Começa, então, a operação desbastar. Porque a bula diz, é preciso delimitar a zona a ser pintada. E para evitar de ter uma zona inteiramente tingida e outra não não tingida, é preciso aparar. Aparemos, aparemos.

Uma
vez efetuada a tosquia para obter um pequeno ticket de metrô ou algo
desse tipo, porque eu não sou lá muito competente nesse domínio todo
particular de tosquia de xaninha, é preciso descolorir o que restou com o
produto mágico especial.
Héeeee,
sim, eu tinha imaginado, o pelo castanho não se torna fúcsia pela ação
do espírito santo (espírito santo que, pelo que eu sei, deve ignorar
tudo desse tipo de operação, my god my god my god). Não se transforma
uma pentelheira negra em pentelheira ruiva com uma tintura : é preciso
descolorir? Vamos descolorir. A receita diz : « a fim de evitar
irritação, proteja as zonas sensíveis com vaselina ».
Primeira questão : o que são as zonas sensíveis ? Bem, isso é bem claro, e eu não vou lhes fazer um desenho.
Segunda
questão : onde está a vaselina ? Eu olho meu material, nada de
vaselina. A vaselina não faz parte. E eu não tenho vaselina. Eu me lanço
ao Nívea, e a sorte está lançada. Enfim, eu espero.

A
operação de descoloração dura 30 minutos, durante os quais eu tirito de
frio na borda de minha banheira. Como eu tinha medo de irritar as zonas
sensíveis, espalhei mal o produto, o que faz com que depois de enxaguar,
eu estou descolorida como uma zebra. Ou um leopardo. Sim, mais um
leopardo. Mas eu tenho preguiça de recomeçar a operação (coisa que tinha
de ter feito, visto que eu tenho bastante produto para descolorir e
recolorir todo o meu prédio, ou quase – não são sovinas em termos de
quantidade, as Color Betty).
Em
seguida vem a fase mais divertida. A tintura. Da minha xaninha
transformada em leopardo. Em fúcsia. Sobretudo, não pensar no que estou
em vias de fazer. Não pensar. Não pensar em nada. E espalhar a tintura,
evitando as zonas sensíveis, a gente conhece o refrão. Depois esperar
trinta minutos. Tiritando de frio na beirada da banheira, a gente
conhece o refrão (bis). Depois enxaguar. E admirar. Ah, para ser fúcsia é
fúcsia. É divertido, é diferente, é sexy. Enfim, quando está uniforme.
Quando parece leopardo, é mais divertido do que sexy. Tudo por minha
culpa, eu tinha que descolorir tudo tudo tudo.

E
eu me angustio com o poderá acontecer nas semanas próximas, o bombeiro
que, forçado a me lavar e a me despir, descobrirá este... tufo...
fúcsia, com ar gozador, embaixo de minhas roupas largas...
Enfim...
Esta
tarde, mesma, eu recebi um e-mail de um paquera. Ele me convidou pra
sair. Bem, vejamos. Ir a um primeiro encontro com a xaninha rosa
fúcsia... Sei, não!
Conclusão
da experiência : eu tentarei de novo no momento propício, agora que eu
conheço o processo de cor, mas sem dúvida não mais com a fúcsia, que me
fez pensar muito no mercúrio cromo. Talvez o azul, na versão
Schtroumpf(3).

Ou
o violeta. As versões clássicas são perfeitas para cobrir... os
primeiros pelos brancos (sim, os sinais da idade aparecem lá em baixo
também).
Quando você fizer sua tintura, lembre-se de que é melhor:
- pintar no outono,
- prever a vaselina,
- prever a vaselina,
- usar o tom de loiro,
- descolorir corretamente,
- não se mexer enquanto o produto seca (senão fica uma pentelheira fúcsia, engraçada, mas nada sexy)
- ter um homem que tenha senso de humor e que ame a pantera cor de rosa...
Observações finais :
1. Moulin Rose, loja de presentes voltados para, digamos, incrementar romances :
2. Usei o termo « xaninha », que é gracioso, para traduzir o mimoso « foufoune », que a autora usou.
3. Schtroumpf é um desenho animado belga, com criaturinhas azuis que vivem num país de cogumelos, ou algo assim.


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