Cara Geração Y, vamos transar mais?
PARA TUDO! Um estudo publicado na revista científica Archives of Sexual Behavior apontou que a porcentagem de jovens entre 20 e 24 anos que afirma não ter parceiros sexuais desde os 18 anos é de 15%. Isso significa que a Geração Y, na qual eu me encaixo, é a que menos faz sexo desde os nascidos em 1920.
Que que tá acontecendo, pessoal?
Primeiro gostaria de deixar uma coisinha bem clara: ninguém é obrigado a transar. Na verdade, ninguém é obrigado a nada que não queira fazer, mas não é essa a questão. Também não estou aqui para julgar quem escolhe não transar – Deus deu a vida para cada um cuidar da sua. O que eu quero tentar entender é porque nossa incrível geração não está transando – é só uma questão de querer ou tem outros fatores por trás da nossa falta de interesse sexual?
É importante esclarecer o que é a Geração Y. São as pessoas que nasceram depois dos anos 80, conhecidas também como a geração Milênio ou da Internet, que começou a crescer justamente nessa época. Muita coisa já se falou sobre os jovens dessa geração: somos empreendedores, infelizes, viciados em Internet. Coisas boas e coisas ruins. Mas, o que ninguém pode negar, é que somos uma das gerações que mais viram transformações, principalmente no mundo tecnológico.
A geração anterior não viveu isso da mesma forma que nós e a que veio depois já chegou em um mundo totalmente conectado. Lembro da transição entre Internet discada e a banda larga, como isso mudou o modo como nós fazíamos trabalhos escolares. Agora, vejo como essa tecnologia mudou também o modo como nos relacionamos com as outras pessoas, principalmente na questão sexual. Então, por hoje, vamos deixar de lado as posições inovadoras e as 15 formas de enlouquecer a pessoa na cama e falar sobre esse assunto. Juro que vai ser legal.
O estudo foi feito com jovens americanos, mas acredito que é uma tendência mundial. Ela contradiz o lugar comum que nossa geração é promíscua, pensamento que ganhou força com o surgimento de aplicativos como Tinder e Happn. O coautor da pesquisa, o professor Ryne Sherman disse que: “este estudo realmente contradiz a noção generalizada e popularizada por aplicativos de namoro, como Tinder e outros, de que os “Millennials” são a geração “conexão”, sugerindo que eles estão à procura de relacionamentos rápidos e sexo casual frequente”. Ah, mais um detalhe que essa pesquisa apontou: as mulheres são duas vezes mais propensas do que os homens a serem sexualmente inativas.
Eu, como parte dessa incrível e incompreendida Geração Y, fiquei muito chocada quando soube dos resultados da pesquisa. Mesmo que o sexo ainda seja um tabu, mais e mais pessoas (e principalmente, mulheres) estão se descobrindo sexualmente, seja através da masturbação ou da inclusão de brinquedos eróticos na sua vida sexual. Logo, cheguei a conclusão que nós estávamos transando mais – mas parece que isso não é verdade.
Então o que está causando essa falta de interesse sexual?
Tenho algumas teorias e gostaria de saber se vocês concordam comigo – lembrando que nossa caixa de comentários está sempre aberta para vocês ♥. Uma delas é que a tecnologia (sim, a vilã preferida do século XXI) interfere diretamente nas nossas relações interpessoais. Bem, é fato que a tecnologia mudou (e muito!) o modo como a gente se relaciona, mas isso não significa algo ruim – pelo menos não necessariamente. Na questão sexual, acho que sim, por alguns motivos:
As pessoas já não sabem flertar ao vivo. O Tinder e o Happn ajudaram muitas pessoas a saírem de suas zonas de conforto, o que é ótimo!, mas também fez com que muitas outras escolherem o mundo virtual como a única possibilidade de encontrar alguém. Afinal, é muito mais fácil você conversar com alguém a distância, sem ter que lidar com o medo de uma rejeição ao vivo e a cores. Um “não” online dói muito menos do que um na vida real. Ainda no âmbito da tecnologia, entra a pornografia – será que a satisfação própria está substituindo o contato físico com outras pessoas? Só uma punheta ou siririca vendo um pornô já basta para nos sentirmos satisfeitos?

E se nós estamos tão preocupados em sermos tudo o que poderíamos ser – excelentes profissionais, jovens que conhecem o mundo antes do 30, que saem da faculdade já pensando na pós, falam três línguas, tem dois intercâmbios no currículo, mantém uma vida social e um estilo de vida saudável – que acabamos esquecendo desse detalhe tão importante? Estamos constantemente tendo que nos provar, seja para um mercado super saturado, seja para nossas famílias que colocam expectativas gigantescas em cima dos nossos ombros, seja para a sociedade de forma geral e até para nós mesmos. Com tantas provações, o tempo para ter uma vida sexualmente ativa e saudável, às vezes, não existe. Abrimos mão dessa parte, assim como abrimos mão de outras coisas que acreditamos serem “sem importância”, para alcançarmos um bem maior, um objetivo gigantesco que, convenhamos, a maioria de nós ainda nem sabe qual é.
E se o sexo se tornou efêmero para a Geração Y? Se tudo fosse tão rápido, tão superficial, tão blasé que o ato de fazer sexo já não encanta? Afinal, para as gerações anteriores, a descoberta do sexo era algo incrível, um momento especial e até mesmo secreto. E se para os jovens de hoje (lembrando que eu sou uma delas!) o sexo se tornou tão lugar comum que já não desperta o mesmo interesse que despertou em nossos pais, que viveram o auge da descoberta sexual? Quando eles eram adolescentes, as letras das músicas brincavam com isso, sexo já era mais prazer que obrigação moral e biológica para formar a família tradicional. No nosso caso, em um simples clique podemos (mais do que nunca) ter acesso a todos os tipos de fetiches e posições para cessar nossa curiosidade.
Não sei. Escrevi um textão apenas para chegar a incrível conclusão que eu não faço a menor ideia do que está acontecendo com a minha geração. Porém, sinto que meu fardo é um pouco aliviado ao perceber que a Geração Y não faz ideia do que está acontecendo com ela mesma – o que não é algo tão bom assim, mas ajuda saber que não estou só.
Até a resposta cair magicamente no meu colo, só tenho um pedido para fazer: Vamos transar mais? Transar por querer, transar por vontade, porque te faz bem. Transar com amor, com tesão, porque é bom, porque é gostoso.
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