segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A magia do Shibari


A história do Shibari começa com ilustrações da arte conhecida como Hojojutsu. Esta arte marcial era praticada por Samurais. Para entendermos melhor, devemos ir para a época mais obscura do Japão medieval, onde essas artes eram praticadas nos campos de guerra. Essa prática se resumia em capturar e deter o inimigo o mais rápido possível, usando as cordas. No estudo dessa arte, os Samurais se especializavam em métodos de tortura extremamente cruéis.

Em meados do século XVII, Tokugawa Ieyasu (1542-1616) era o governante, um dos mais inteligentes partidários de Nobunaga. Tornou-se o homem mais poderoso do Japão, quebrando suas próprias promessas, virou-se contra o herdeiro de Hideyoshi,o jovem Hideyori, para tornar-se o centro do poder do país.

Durante o governo de Tokugawa, existiam quatro formas de tortura muito comuns: chicotadas, pressão em partes do corpo do prisioneiro com rochas pesadas, restrição de movimentos e suspensão por cordas. As cordas eram utilizadas para causar má circulação, imobilização e posições humilhantes para os prisioneiros. As punições eram físicas e psicológicas também.

Dentro desta técnica, eram usados diferentes tipos e cores de corda, que eram usadas pra identificar o tipo de crime que o prisioneiro cometeu e a que classe social pertencia. As últimas imagens descritivas das antigas técnicas do Hobaku-Jutsu foram encontradas no Castelo Matsumoto, onde as cruéis e violentas técnicas começaram a ser aplicadas eventualmente para propósitos estéticos e sexuais.

No fim do período Edo, surgiu a primeira ilustração onde o Hobaku-Jutsu era usado para fins sexuais. Foi uma época em que o Japão começou a abrir as portas para o mundo, e os conceitos do ocidente alcançaram a nação. Daquela época em diante, estes métodos de tortura continuam sendo usados para causar prazer, beleza e sensualidade. A corda era um símbolo de poder e controle sobre as mulheres, dentro das fantasias sexuais.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses tiveram estreitos contatos com os alemães, aprenderam vários conceitos sobre o sadomasoquismo do ocidente e o legado do Marquês de Sade.Tudo isso foi acrescentado às suas antigas técnicas de tortura, e o conceito de estética, beleza e sensualidade da arte, que hoje conhecemos como Shibari, havia começado.

Em 1960, a popularidade do Shibari cresceu, a ponto de serem criadas sessões especiais em teatros. Em Tokyo, as pessoas compravam ingressos para assistir um Mestre amarrar sua dorei (escrava). O Mestre podia até escolher uma garota da platéia, despí-la, amarrá-la, suspendê-la e torturá-la sexualmente, na frente dos espectadores. Até os dias de hoje é uma arte apreciada por muitos, e uma das mais belas do cenário BDSM.

O shibari é uma técnica complexa, porém possui um ponto de partida básico. A amarração básica lembra uma "lingerie", e se resume em três partes: Shinju, Sakuranbo e Karada.

Veremos cada um deles a seguir:

O Shinju (pronuncia-se "Chin djú") é a amarração que envolve os seios, tornando-os mais sensíveis para a estimulação erótica. As cordas são passadas em volta do peito, e depois por cima dos ombros, apertando os seios para cima. Ele pode exercer quatro funções principais:

- a corda funciona como um sutiã, suspendendo os seios de maneira muito confortável;
- os seios e os mamilos ficam muito mais sensíveis ao toque;
- proporciona um sentimento de segurança, submissão e conforto;
- as cordas que pressionam entre os seios, sobre eles e a coluna, funcionam como uma massagem erótica, relaxante e extremamente excitante.

Sakuranbo (Cereja): O Sakuranbo (pronuncia-se "Sakurambô") é a amarração que envolve a parte genital, altamente estimulante. As cordas passam em volta do quadril e depois pelo meio da vagina e nádegas. É feito também um pequeno nó que pressiona o clitóris. Ele pode exercer duas funções principais:

- massageia diretamente a zona erógena (provocando extrema excitação) e a parte inferior da coluna;
- proporciona sentimento de segurança e conforto.

Esta amarração pode ser usada até por baixo da roupa, por um longo período. Tente ir ao Shopping, a um jantar ou assistir a um filme. A amarração fará um ótimo trabalho, e muitas coisas maravilhosas podem acontecer quando você chegar em casa.

O Karada (pronuncia-se "Karadá") é a amarração que envolve o corpo, como se fosse um espartilho. As cordas envolvem o corpo, exercendo pressão em vários pontos estimulantes.

Nesse tipo de amarração pode-se usar a criatividade, pois além de envolver o corpo, é possível criar algemas de braço, mãos e pernas; e ainda: vendas e mordaças - tudo feito com as cordas.

Ainda que existam outras amarrações um pouco mais complexas dentro do Shibari, se você aprender essas amarrações citadas acima, com certeza fará um ótimo trabalho!

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